acordei coberto pela cortina, aflito e desamparado hoje
ontem e antes: no lugar de amizade, ditos
território árido que tentei cruzar com esperança
mas é tão difícil só estar, acompanhar
cada encontro e ia se somando, iam derramando
todo o peso do mundo em minhas costas
todas as vozes que disseram meu sofrimento e destruição
serem merecidos
algumas em que eu esperava alguma canção apenas
devem comemorar agora perplexas
que o perdão se compra com sofrimento e humilhação
assim como qualquer calma
hoje levantei cansado e desesperado
como se dormisse um choro
como se a noite se escondesse nos meus olhos
doce, como se a vida fosse doce,
breve como tempo fosse
fácil tendo tudo grátis
¡confio na bondade humana!
enquanto só querem meu bem
, desde que possam enfiar sua moral em mim
e sugam o resto de minha sanidade me exigindo paciência
com tanta decência
e toda a caridade, que me oferecem como migalha
tanta hostilidade só deve estar estampada nos meus dentes
ou pregada com durex nas minhas costas
- vozes retardadas, proclamais vaias desfiguradas numa covarde rotina?
sou caixa de pandora ao revés
sou deixa sem fim
sempre prestes
a postos
na iminência de ser
rótulo
quarta-feira, 14 de março de 2012
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19:04
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marcos assis
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rotulo _poesia, casa de massagem, tudo
segunda-feira, 3 de outubro de 2011
ponta de dedo que toque
em imagem dócil em tempo de secura
hoje chove doidas gotas
e escrevo poesia só assim só pra mim
sem saber cuidar do que me cuida
mas que peso me atravessa
e quase cálido a não ser por tarde que é
nessa danza sempre perco o compasso
nem a pequena esfera da ponta da caneta
desde
19:35
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marcos assis
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domingo, 28 de agosto de 2011
Andarilho entre serpentes
passo ao fim de mim
num andar firme e descomprometido
até que o solo seco se quebre
sob a superfície e engula
os meus pedaços caídos deixados.
As serpentes mágicas enfeitiçadas
estáticas se erguem a um palmo do chão
e riem sem veneno.
Andarilho que só leio siglas.
desde
11:42
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marcos assis
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sábado, 13 de agosto de 2011
poema para um machucado
a coisa mais lenta que há é um machucado que se fecha
a menina sai do banheiro onde esteve vomitando ou cheirando
o queimado no dedo há tanta tristeza para se ver em tudo
a coisa mais rápida que há não é piscar olhos nem pensamento
amanhece um novo dia mas por baixo do penso o buraco não é menor
amarela tanta cor que não é pele não é pelo buraco na parede
passa sol pela janela que arrepia as costas ao tocarem as partículas sem massa
pela dor pela culpa que se fecha abaixo da pele passa agulha
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16:17
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marcos assis
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quarta-feira, 10 de agosto de 2011
pandora
não há o que preencha esse espaço nem nada que alivie o peso das coisas
a vida não se escreve sozinha
porque não há escolha que não possa ser feita
em que fundo se esconde toda essa melancolia?
e cada dia é mais fácil de ser máscara
com azia na alma
até que um momento fugaz lhe vira do avesso
expondo em carne viva, à flor da pele, à queima roupa
com ânsia na cara
e mostra que esse jeito reto anti-subjetivo
essa evasão do sujeito é uma falácia
e cai em si
segunda-feira, 8 de agosto de 2011
eu sempre tentando entender tudo isso
mas não há valor no esforço
o cuidado é cheio de dor
eu me sinto como se estivesse lapidando uma pedra qualquer
ninguém enxerga além
não vale a pena ser bom
há de ser cruel com estilo
não mais lapidar pedra sem valor
esquecer essas palavras que não saem
desde
04:25
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marcos assis
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no meio do sonho como turbilhão
tudo parecia distante
estranhos faunos que ritualizavam ébrios à madrugada
a música a noite
tudo parecia se afastar a cada toque
a cada pulso
como o agora se afasta lentamente no tempo
tanta confusão suspensa como poeira no ar
parecia tão bom a cada olhar
de repente tudo se partiu
eu era andarilho em solo seco
a queimar lágrimas na manhã vazia
tudo estava tão longe
desde
03:52
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marcos assis
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domingo, 7 de agosto de 2011
paira um sol sobre as cabeças
mesmo de noite se tivesse um buraco que atravessasse o mundo
esse sol ainda rasgaria as retinas
tudo é só um sonho maluco
e você acha mesmo que vai acordar suado para terminar tudo aquilo que não fez
e vai passar
no retrato de um momento você desenha um sentido
para alguma coisa que não tem significado
essa será uma época de muita poesia
que vai oscilar até parar no meio exato do buraco que o atravessa por inteiro
e vai ter aquele jogo de palavras que você vai usar até bem
e dedicar tacitamente aquele poema incomprendido para você-sabe-quem
as frases de efeito
naquele poema incompreensível
desde
21:22
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marcos assis
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segunda-feira, 4 de julho de 2011
antes de ir dormir, qualquer líquido é cola para as idéias que flutuam
assim sem diluir fica tudo saturado na beira
faz o gesso faz o sonho
costura as linhas do mapa
faz o gesto que resta:
apoia os dedos finos em um mergulho para fora, para cima
desde
23:13
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marcos assis
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quarta-feira, 8 de junho de 2011
mantenha a cidade limpa
ê, é
sobrevoa a desordem num espaço multi dimensional
hiper-espaço hipertexto
a dimensão assimétrica
os prédios do centro de bh
o mana que escorre como cuspes no chão
os lugares são táteis mesmo quando gigantes
os prédios são férteis em memes mas sistemáticos não imagens
cerceam a desordem de arcângelos, poetas, chatos
os fascistas querem uma cidade estática
os donos querem uma cidade estática
os clientes querem uma cidade limpa
os fados, os fartos os indecisos vivem numa cidade estática
onde se acomodam
veem uma cidade estática não estética
em que se incomodam
desde
19:48
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marcos assis
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quarta-feira, 18 de maio de 2011
mi ne scias kial la infanoj teni tiom aferojn al paroli
mi ne riskas pli al diri nenian
oni kreskas maljuniĝas lernas tiom vortojn tre grave afera
malvigla kosntruo nefrukto-dona
gajni konatiĝon perdi sciecon
desde
15:33
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marcos assis
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sábado, 23 de abril de 2011
fruit case on my lips
I've got all about
cause it is all about my desease and my desire
I'd learn everything again, just to get out of here
there are other things to forget
the deep to dive in mom's flowerpotty garden
get an italian citizenship
get a ship
a spaceship
an old way
I'd take you home, my beloved son
I would. cause I never understand what you are really talking about
eu queria ir embora
it is born a new desease
desde
14:07
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marcos assis
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quinta-feira, 21 de abril de 2011
queima minha boca
não tem lugar
explode de sim
aqui elefanto ita
liano
una carne flesh
alface polpa
diga agora se tem aonde ir
que não seja voltar
desde
16:19
por
marcos assis
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sexta-feira, 31 de dezembro de 2010
imagem por J, kebrandoulápis
desde
12:15
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marcos assis
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sábado, 18 de dezembro de 2010
meus amigos estão todos nas últimas
meus momentos já passaram
vou no bar pago uma cerveja vou embora
saio com a quase intensa sensação
de instantes mal vividos de todo o passado
não apareço mais por aqui quanto tempo sumiu
vamos marcar qualquer dia desses demorou
pra que tanta tristeza nem mesa sentados
é algo inacabado e acabou
desde
18:25
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marcos assis
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rotulo _poesia, casa de massagem, tudo
quarta-feira, 6 de outubro de 2010
até o ponto final
reparo no rosto de todos
na rua a expressão fechada de luz de sol
na rua cara fechada
sombrancelhas contraídas vincos e marcas
bochechas contraídas traços fundos do lado do nariz
fisicamente incapazes de demonstrar qualquer humor contraído
todo dia nenhum bom dia
o sol seco sempre contra
na rua a mesma fachada de cera
tanta desconfiança no olhar torto
só se desfaz quando encarada por outro olhar
que ninguém se encara
tão estranho encostar quando faz esbarra
todo solo seco nem encontra
tanto degrau na calçada
ninguém olha pro céu
vem o ônibus
atravesso grande parte de quatro grandes avenidas
nem a moça bonita senta do meu lado
quando senta nem conversa
cobrador nunca responde meu oi
quando não dou me dá boa noite como quem cobra
que cada patada me desanima
mas faço de qualquer agrura improviso
aí no final da noite tentando em tanto barulho
até o ponto final
é trocador que cobra gentileza
quem me faz companhia num papo entrecortado
e no ponto meu cigarro faz fumaça que incomoda
até peço desculpa do vento seco naquela direção sem graça
minhas coisas esparramam no chão
bato a cabeça desequilibro e nem tem conversa com ninguém
que tanta pancada atordoa
mas tento a qualquer custo
de tão caro que ficam todas passagens no mês
tento muito muito mesmo
ainda conservar minha inocência
mesmo que toda torta estirada esburacada.
desde
14:09
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marcos assis
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rotulo _poesia, casa de massagem, tudo
sábado, 2 de outubro de 2010
50 min esperando o S50
não merece um poema.
desde
21:34
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marcos assis
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rotulo tudo
terça-feira, 7 de setembro de 2010
pensa dois três minutos e não sai mais
do pensamento
brotam frases indecentes
paro por aqui
as persianas enroscam
a lâmpada queima
os cartazes descolam
o vento não pede licença
para se por no meio
escuro mentira:
tudo muito claro não paro
te lanço no quente da minha pele
no ardor de tanta noite envolve
na minha roupa que não me contem
nos palavrões que te chamo safada
que te grito rouco em gemido másculo
que te faço calo com meu dedo na sua gengiva
nos seus dedos que me desenham
nos seus peitos palma da minha mão
cabelos da nuca
unha na cintura saliva muita
na sua boca que te falo
desde
01:32
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marcos assis
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rotulo _poesia, casa de massagem, tudo
segunda-feira, 23 de agosto de 2010
mormaço
onde estou os meus pedaços
vai leva volta
traz de novo ar úmido
mormaço
ah, que nesse calor
já perdi pele nesse asfalto
que esse sol
minhas córneas não tocarão mais
perde um pouco de mim
como um punhado de areia
jogado ao vento
onde sou dos muitos beliscões
que cada vez é a mesma
e nenhuma ilusão é maior
maior é o conforto
vai volta traz
ah, que nesse mormaço já me lembro
lembra perde joga fora
a cola dos cacos derrete
escorre por entre as minhas mãos
desde
19:45
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marcos assis
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rotulo _poesia, casa de massagem, tudo
quarta-feira, 21 de julho de 2010
pego pelo pinto
ou fêmea esfrega
encontro suas costas e sua bunda
blasfema seu corpo, e perna aberta
nem contexto nem tempo
desde
16:41
por
marcos assis
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sábado, 26 de junho de 2010
algoritmo para afonso
natimorto bebê no gueto
natimorto enfeza e sangue
natimorto nada!
bebê nascido de idéia bela morta
joga fora água e bebê junto
joga nada que isso aqui não é jogo não
pega e vai embora
desde
20:08
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marcos assis
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terça-feira, 15 de junho de 2010
melodia
Ré
Mi
Fá
Si
Lá
Sol
Faz-se lá sol
Me sem nó vas nó tas
tão sem que com
mo vi do que nem sei
Sei se não
Dó não sei ti.
Sem ti.
Não é
Fá tô
nem aí.
desde
13:07
por
marcos assis
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segunda-feira, 7 de junho de 2010
sem meia, mas com boca
desde
15:48
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marcos assis
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rotulo _flyer, _performance, sem meia mas com boca, tudo
sexta-feira, 28 de maio de 2010
doisbigo
desde
18:52
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marcos assis
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quinta-feira, 20 de maio de 2010
eu já tenho medo de seguranças vestidos
[de preto e tudo mais
a minha leitura branda já não se
[recorda mais do meu passado
[mórbido e confuso
de dias assim minha agenda
[já está cheia
vestidos longos e pretos
de patricinhas e as putas choram
[as lágrimas de dali
transcrevo toda a sensação de
[dias ruins
assim a perigosa chora lágrimas
[de cerveja
e discursos inflamados proferidos
[a poucos
ainda assim prefiro os encontros
de peito aberto furado de balas
de metralhadoras escapando
[em círculos
e livros lidos criados em voz alta
desde
11:37
por
marcos assis
8
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segunda-feira, 3 de maio de 2010
vasta obra
mamãe é do norte de Minas
meu pai é da bahia
eu? nasci no Espírito Santo
já morei em tantos bairros de BH
eu mudo muito
nessas andanças perco as coisas mudanças
perco os livros músicas poemas
perco pessoas
papéis avulsos
em mesas de bares
banheiros públicos
restaurantes
verdade, eu escrevo e fica
minha vida já é uma história
pode ser que sim
pode ser que não
desde
12:14
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marcos assis
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terça-feira, 27 de abril de 2010
se seus olhos não fossem tão verdes
[eu apagava a luz de cor que não
[dá pra não ver porque eu já tenho
[muito desse olhar
ver e lembrar se cê viesse eu tão lá
[de não conseguir mais não querer
[que não tem outro lugar pra
[olhar
desde
16:54
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marcos assis
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rotulo _poesia, casa de massagem, coisa, tudo
domingo, 18 de abril de 2010
ASSOBIO
deixa eu ser
feliz alguém pra você
enconstar assoprar e beijar
deixa eu ver
sorrindo seu sorriso você
tocar cantar fingir
eu te ver de novo
consigo viver
depois e durante
mas não quero
quero ir praí
correndo até chegar
quero mordiscar
lamber babar
consigo ficar
manter e permanecer
mas não sei se devo
não sei se seria se
deixa eu ficar
assobiando como quem
não quer nada
desde
10:11
por
marcos assis
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quinta-feira, 15 de abril de 2010
Teorema da divergência
Euler e Leibniz nunca estiveram tão certos:
o entre-prédios
está dentro de mim
com seus barulhos estranhos
gaitas de ar condicionado
e estranhas harmonias
Newton e Gauss muito acertaram:
o tempo do cigarro
, ou do café,
de todo dia
é desculpa para pensar
ou só mesmo evitar
Faraday e Ampère bem ressaltam:
todas essas conexões
em dias assim
provocam abstração no estômago
de pensamentos soltos
e angústia amena
desde
10:46
por
marcos assis
6
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domingo, 11 de abril de 2010
onde estará lorena?
Onde andará morena?
Sua fuga é boba
Sua razão se embebeda
os seus pesares dão pena
Minha grande rima
da risada forte
seu olhar me fura
de incerteza plena
na areia se infiltra
filtra; oceano de não nadar.
Das porcarias humanas
se enche. Morre. Envenena'mar
As ostras não falam
as ostras se fecham
de medo das outras
de medo da pérola
sua culpa é chumbo
diluído em sangue
do azul cruel
de existir a penas
seu zelo é mundo
enfermo sem descanso
do acaso fiel
de alegrias pequenas
Das amoras sei o tempo
Dos amares sua teima
o dia amanhece insosso
falta abraço de maizena
do apelo sem chance,
Dia brando
poesia amena. Lembra
a beleza bonita
e a espera (presente)
do futuro:
presença
volta lorena
sei que suas costas doem
peso muito
que escolheu carregar
volta
que massagem é bom
carinho muito
simplesmente puro estar
desde
14:20
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marcos assis
11
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rotulo _poesia, amora de pé, tudo
quarta-feira, 7 de abril de 2010
só pra usar aquela velha liberdade que incomoda
só pra contaminar todo
o todo
sempre deixando as mochilas
comendo os jambos
lambendo os peitos
e beijando lábios e línguas
com gosto de bala
seus textos são todos registros
de quem são
são
seus sexos são todos regressivos
de quem são
se são
sãos?
seus nexos geram filhos do repolho
seus trâmites esperam milhos de amor
suas cadências, tão loucas tão louças
transmitem um olhar velho e agradável
comum e lento, como quem espera
resignados, suas vestes vivem
seus sexos geram filhos no espeto
nos estranhos nos escuros
nas luzes únicas da noite
sim suas obras te cercam te criam te controlam
conto
suas vergonhas te roncam
o senhor, a senhora
quem lêem isto, te mentem mais que poetas
e mentem muito mesmo
quase chegam a repetir
tudo que foi esperado
tudo que é levemente descendente
e sofrido e doído e sincero como esta página
tudo tão indignado sofrido doído lento
como esta página
assim que ela existir eu como
assim que for real
que for fria e tangível e fina e áspera e sincera
eu como com sal sem sal do mundo
molhada de prazer e saliva
do que é bom do que é agradável e do que é belo
do que é real do que é do meio e do que é sonho
é uma pena que eu entenda as coisas assim
um verso em ritmo de sono
em ritmo de um tempo atrasado
em sopro de dragão e de noite
e de fim
desde
20:20
por
marcos assis
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rotulo (sem título III), _poesia, fragmentos, tudo
pode vir agora
a luz está apagada e ninguém mais
te espero em haste e movimento
você sente meus gestos
desde
17:03
por
marcos assis
3
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rotulo _poesia, casa de massagem, tudo
segunda-feira, 5 de abril de 2010
desde
14:16
por
marcos assis
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rotulo _poesia, casa de massagem, tudo
sexta-feira, 26 de março de 2010
trancado por dentro
uma casca de inseto
amado por ninguém
deixado ao vento
um vira-casaca
armado até os dentes
até um tempo
por uma eternidade
de versos curtos
e dias longos
doidos malucos
armados por ninguém
infelizes atores de uma peça de roupa
alertados, conscientes
desde
10:16
por
marcos assis
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rotulo _poesia, casa de massagem, tudo
quinta-feira, 11 de março de 2010
branco
eu acordei hoje bem mais cedo que de costume
de ressaca com uma noite feliz na cabeça
num bar com os amigos e cerveja
mas: nem tudo estava como antes de eu dormir
foi difícil acreditar no calendário
pregado no lado de dentro da porta do armário
acordei 4 meses depois da noite que me deixou essa ressaca
meu quarto tinha um branco arrítmico e sem melodia
meu poema tem agora essa falta de melodia
o mesmo quase de antes mas mais branco
ninguém em casa todos trabalhavam
dos cães dois mortos
todos trabalhavam
acho que viviam suas vidas normalmente
como se me esqueceram aqui
deitado dormindo
o Diego foi promovido, o Felipe despedido
ninguém teve filhos
minha mãe ainda pagava as contas de água em dia
não tinha café na mesa
nada de mais, tirando o branco estranho do quarto
nem aquecimento global, nem reforma agrária
só continuaram. a faculdade da Bianca começou
e tudo continuou
a Bianca minha irmã
depois de um vazio natural e rápido
decidi me arrumar e sair pra minhas atividades
acho que pintaram meu quarto
desde
10:57
por
marcos assis
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rotulo _poesia, casa de massagem, tudo
quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010
eu quis aprender a tocar violão
e tudo que fiz, ou melhor, não fiz
foi deixar de cortar as unhas
foi deixar as unhas crescerem
da mão direita
eu e o violão aprenderíamos suas
eu te tocaria fabulosas canções
eu te tocaria
samba
e tudo que fiz, que não quis, que nem se diz
foi deixar as unhas te arranharem
foi cortar minha mão direita
e sangrar meu suor em seus cabelos
eu te cresceria
desde
19:41
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marcos assis
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rotulo _poesia, casa de massagem, tudo
quinta-feira, 28 de janeiro de 2010
sábado, 9 de janeiro de 2010
sem nome
a poesia se perdeu em mim
onde é que foi parar minha poesia
vou fazer uma poesia de não frases
desde
19:39
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marcos assis
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rotulo _poesia, poesia gritada, tudo
sem nome
os olhos pesados
chorar ou dormir?
em certas horas
tudo é querer acreditar
em uma ilusão
definir
o ridículo
ficar
pra sempre
e muito
cheio de teorias
desde
19:22
por
marcos assis
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quarta-feira, 9 de dezembro de 2009
ando nessa
que qualquer coisa me interessa
a solidão é indispensável
tento me convencer
a fazer nada
a rima é inevitável
tento isso
que tudo mais me estressa
a solução era impensável
tento qualquer coisa
o tédio me serve
eu inseparável
é assim
não importa
as caixas de papelão na rua me satisfazem
as sombras no azulejo me desenham
o silêncio me abraça me consola
a minha ilusão me deseja
desde
16:26
por
marcos assis
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domingo, 15 de novembro de 2009
Impressões cruas
esse texto foi escrito no melhor bar de todos os tempos, o chaplin.
eu tinha 14/15 anos e o chaplin era o bar onde eu ia com a tereza matar as aulas da tarde e aprender a beber e fumar.
o bar era todo decorado com frases e fotos do ator-diretor-roteirista, e as paredes da esquerda eram assinadas por todos os visitantes. ficava num porão que dava pruma esquina. lá dentro tinha outro cômodo onde alguns frequentadores de sempre ocupavam as mesas de aço.
apesar de tudo, era copo sujo.
lá eu bebia um drink ótimo, o aviãozinho: metade vodka, metade martini, muito gelo e um halls preto.
o dono era um ex-radialista, que abria de tarde só pra gente. enquanto ele limpava, a gente ficava conversando e bebendo lá dentro.
sem surpresa nenhuma, o lugar durou pouco tempo. antes ia gente de todo tipo, desde os tios, gays e lésbicas, até adolescentes querendo se divertir na monótona cidade de itaúna. acho que ele não era um bom administrador, e no fundo, aquele não era um ponto comercial bom. logo ele arrendou pra outro cara chato. acabou que mudou o nome, a decoração, e virou um bar gay, onde a gente não se sentia à vontade da mesma forma. a gente se sentia deslocado e quase hostilizado. logo acabou tudo também.
impressão crua se tornou o mote de outro trabalho. acho que não dou conta de defini-lo, mas algumas coisas são claras sobre sua natureza:
- de registro
- de distorção do conceito de autoria
- de gosto pessoal
- de situações
espero em breve escrever mais sobre isso. tem algumas coisas interessantes a se dizer, como por exemplo sobre as mensagens de celular do matheus.
o poema acabou entrando para o meu primeiro livro: isopor - ainda inédito em sua maior parte. depois disso foi o início de uma época onde eu comecei a escrever muitas madrugadas. eu escrevia muito, livros inteiros. esse período resultou - além de outras coisas - em um trabalho que gosto muito, uma coleção de quatro livros: (uma outra loucura). mas isso já é outra história...
desde
19:09
por
marcos assis
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rotulo _foto, _imagem, _poesia, impressão crua, isopor, tudo
domingo, 1 de novembro de 2009
esse silêncio
esse meu silêncio não foi nunca indiferença e você sabe
que para mim tão prolixo ficar distante é uma tortura
que te esperar e mesmo todo esse tempo só eu que fui contra mim
e que te esperando(,) vivi, cretinamente
e que mesmo só eu fui para você
que quando te procurei foi por não aguentar
(e esqueci intencionalmente decisões-previsões-intenções-princípios
para depois amargar pecados contra mim, de tédio, de desespero)
e você sofre tanto
mas para você
nada é tão importante
e sempre: foi tarde demais
e nessas horas eu nunca penso no mal que você me faz
nas suas despedidas em mim despedaçado
na sua humilhante responsabilidade
é a sua voz que me rasga a boca
e que me brilha os olhos
eu me destruo de novo, consumo
o seu suor me pinga na língua de desejo
e mesmo quando eu for lembrar
você será sempre essa história mal resolvida na minha vida
e eu nunca terei te decifrado, nem nos momentos de entrega mais plena
e eu serei sempre cretino e medíodre, nunca o eu-poético das músicas que ouço
saberei que quando estava mal era culpa minha
e quando bem é porque eu não estou mais
e que assim eu tento fugir
eu não estou mais em mim
e transformando essas frases no meu estandarte
esse meu estandarte de palavras sujas e amargas,
desde
17:17
por
marcos assis
13
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segunda-feira, 26 de outubro de 2009
domingo, 27 de setembro de 2009
poema para um insone
quinta-feira, 24 de setembro de 2009
diálogo [de caio fernando abreu]
– Podia esperar de qualquer um essa fuga, esse fechamento. Mas não em você, se sempre foram de ternura nossos encontros e mesmo nossos desencontros não pesavam, e se lúcidos nos reconhecíamos precários, carentes, incompletos. Meras tentativas, nós. Mas doces. Por que então assim tão de repente e duro, por quê?
Uma pedra. Igual a si mesma, como só o são as naturezas inertes. As pessoas escorregam e, se num momento foram, no seguinte já não mais o são; a possibilidade de ser se reduz, contrai, escapa, ou num repente aumenta para explodir inesperada. As coisas se afirmam nelas mesmas em cada segundo de cada minuto. E em cada segundo futuro, serão ainda elas mesmas, sem se acrescentarem ou diminuírem. Para sempre, uma pedra será uma pedra. E por que então, enfim, esta palidez minha? Por que a encarava e pensava, e a constatava em sua permanência despida de mistérios e, no entanto, hesitava? Deveria compreendê-la no passar de olhos e ir adiante sem esperar. Contudo, esperava. De uma pedra – o quê? Se me machucava por dentro e quase tombava, meio aniquilado, impossível prosseguir. Derramar de ternura do vazio de minhas mãos, meus olhos quase verdes de tanto amor recusado, emoções informuladas pelo silencia de noturna precisão – tudo convergindo para a pedra. Uma fatalidade, o inumano atingir o humano assim, de brusco? A nudez de meus pés devassava o frio. O vidro do rio, a lâmina do vento, a morte do sol. E a pedra. Inatingível.
– Compreenda, eu só preciso falar com você. Não importam as palavras, os gestos, não importa mesmo se você continua a fugir e se empareda assim, se olha para longe e não me ouve nem me vê ou sente. Eu só quero falar com você, escute.
Inatingível. Escorregava em torno dela, percorrendo consciente uma trajetória de impossível. Em torno da pedra um círculo de repulsão que me jogava longe no momento da aproximação de seu centro. Cansaço pesando sobre mim, baixei a cabeça. [...] Pelos descaminhos, meu rumo se perdia, eu tornava a buscar, recomeçava – e novamente errava, e novamente insistia, Túrgido de ternura, me encarei. E baixei a cabeça de vergonha. A pedra prescindia de mim. Eu, que me projetava num tempo desconhecido, prescindir de tudo e, impotente, me projetava na pedra, lúcido de que não seria jamais o que ela estava sendo. Eu que não conseguiria alcançar o que ela alcançara e para sempre me perderei entre as pessoas, vagando sem encontrar, sem saber sequer o que busco, o que buscarei. A pedra me agredindo com seu ser completo.
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18:36
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marcos assis
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rotulo tudo
segunda-feira, 21 de setembro de 2009
carta pública para ana (a quem interessar possa)
não como uma suposta genialidade de um escritor que eu conheço não mais que dois textos isso tinha que ter acontecido comigo que não lê nada não conhece nada
mas é estranho como certos encontros acontecem
toda uma trama de coisas fatos se transando até o dia em que acontecem
na hora certa nos pensamentos que se ecaixam
a fluidez do que é mais pessoal é assustador como nada nenhum fio nem a trama são únicas as coisas se repetem até ficarem iguais
como os cumprimentos brandos que eu dei até chegar aqui apesar da pressa
como a demora para o computador religar até que eu pudesse despejar esse tanto de palavras com uma fúria mais branda
mas nada importa afinal tudo é acaso intencional
os nomes as palavras as cartas são meros desenhos floreados de um tecido absurdo
eu estava fumando a ansiedade que me deu naquela hora olhando a chuva forte do dia quente
com vontade de ler em voz alta alta aquela carta do livro pra você antes que eu pudesse conseguisse ler mais alguma coisa as pessoas nem a aula sem importância
o comentário do colega, a máscara custando a ser mantida
o comentário: meu primo às vezes se sente tão sozinho que libera o spam pra parecer que recebeu e-mail
então apesar de dizer como se já fosse muito tempo, ainda a chuva cai, ainda não li ainda a ansiedade que não quer acabar apesar das coisas triviais do dia inundarem essa sala
as coisas triviais ligar escrever dizer nada disso é tão tocante mais essa farsa repetida essas dilacerações indiferentes a casca fortemente mantida
o fundo de mundo vão que se descobre cada vez mais vulgar e dispensável
mas não adianta não sei quem ia entender ou ter paciência é mais uma vontade eu sei que tudo vai continuar cinza e disforme como essa espera de não-sei-o-que que eu tenho amargado
as bolhas não são rompidas no máximo tangenciadas pela forte angústia que sempre trago
as idéias não são interrompidas a não ser pelo ínfimo intervalo de um tempo finito que mantêm que retrago em vozes alheias
e tudo tem cara de inacabado mas a mim parece agora que nada começou. nunca
ao investir com a bolha me perfuro de volta como quem sabe o que ia acontecer e com a mesma cara de surpreso vejo tudo esfarelar de novo de velho na minha frente
ao defender princípios idéias tudo é tão egoísta
e percebo quando a única chance de algo nobre que eu não pude fazer que eu não conseguia entender depois se mostra claro claro como a mesma angústia
na minha frente em um futuro inevitado, que chegou
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16:45
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marcos assis
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segunda-feira, 14 de setembro de 2009
meia foto
e eu desejo e me despreza
de volta ao que sou
ou não; de volta nada
eu te detesto
ah como eu te quero e te detesto
eu sempre perto
tão longe quanto os versos cantados
que me narram
ah te detesto
te desejo e odeio
merecer sentir
mas de volta ao que sou
eu sempre longe é isso
ah te detesto e imagino
tecidos e pele
e voz
mas nada
quando embora
me quer sem que eu soubesse
mas tudo
que eu queria
e olhava
meio olhar atrás da pilastra
meia foto
sorriso inteiro
ah mas sempre aéreo
desculpa pra ver de novo
é sempre longe e é isso
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15:05
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marcos assis
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terça-feira, 8 de setembro de 2009
um rosto
voltado
um vulto
aqui deitado
em pé
um pé em pé
um rosto vertical
un ratito de emoção
num vulto principal
um poço na alucinação
quem desperta, não tenta
num soneto de trinta dias
um crescente
um prédio, enquadramento
uma difusão
impressão desastre
uma parte
à parte
viola-do
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16:51
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marcos assis
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segunda-feira, 24 de agosto de 2009
e só
e foi um dia,
e sim
e chuva
e talvez
fosse só um dia
seria diferente
só
é
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17:18
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terça-feira, 21 de julho de 2009
autor temporariamente fora do ar para remendos de inconveniências
[clique em poesia e leia os outros poemas]
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10:50
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marcos assis
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rotulo tudo
segunda-feira, 13 de julho de 2009
dois dias
engulo o que no que mergulho
fecho os olhos de prazer de lembrar
cobertor sobre as cabeças que protege
do amanhecer inevitável
estica uma existência
força sonhos acordados
de uma sutil latência
- dois dias
um olhar
- o que você está pensando agora?
o corpo entorta ao toque
a linha dos olhos
- (eu entendi)
não precisa explicar
o torto encorpa aos braços
as linhas do toque
a superfície do toque do cabelo
o cor
po confor
tável
- dois dias
a olhar
dois dias que foram duas noites
nos dias, pensando
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19:18
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marcos assis
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terça-feira, 7 de julho de 2009
poesia atonal
é assim que ele sabe ser
e ela fica desfazendo da única vaidade minha
e quando você saía
da porta da frente
pra ver quem era
eu estava com o nariz colado na porta
olhando no olho mágico
e as palavras se perdendo na minha cabeça
você perdendo no lençol
os três na escada
você abriu olhou e fechou
leia agora antes que seja tarde
é assim ser/ desfaz a vaidade/ você saiu e voltou/ eu voyeur/ as palavras sumiram/ o lençol/ nós três/ leia agora
é ser vaidade olho mágico palavras no lençol três leia agora a tarde
é secar no sol de tarde
o sol se põe antes da noite
os prédios guardam o sol
e um vazio entre o dia e o fim
antes que seja noite
já não é mais tarde
tento ser gentil carinho
(espero que perceba)
mas não significa nada
não quero ver de novo
envolver
nos meus lençóis
a poesia esparramada no chão
você abre e fecha a porta
e não entra não inverte
você no meu olho mágico
dez vezes menor dez vezes longe
e a minha poesia, minha única vaidade:
ela se desfaz
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18:38
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terça-feira, 23 de junho de 2009
pca e o caminho em espiral
e os obreiros do outro lado da cerca
a paixão em outro lado da cidade
pitangas sobrevivem no caminho
imaginei a gente
contando nossa vaga história
vinho na sua taça
me embriagando e te levando pra cama
esbranquiçando nossa vaga história
me despedi de mim
e passei sobre a última grama
a vaga na breve história
que você não deixou pra mim
e minhas pitangas
meu café da manhã
nada intui além do barulho
e minhas cantadas
minhas manhãs
nada disso além do caminho
e todas gavetas
fechadas
guardei minha manhã com você na última gaveta
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17:13
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marcos assis
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quinta-feira, 21 de maio de 2009
muito se engana
se você deixa seus humores mais superficiais
dominarem seu julgamento sobre as pessoas
se muito te incomoda
as pessoas mais frágeis
sobre as pessoas mais frágil deita
é preferível sair e arrepender de ter saído que não sair
deixa disso
não se meta
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18:12
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marcos assis
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domingo, 17 de maio de 2009
marcos contra o gilete
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20:16
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marcos assis
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rotulo _flyer, _imagem, _performance, marcos contra o gilete, tudo
sábado, 9 de maio de 2009
tem alguém aí?
cuidado, não precisa quebrar as portas
não é sempre que se quebra portas por raiva
e não vou escrever minhas memórias
pois são todas iguais e além
do mais
nunca lembro
adiei até esquecer
Por que não agora?
se meus sentimentos, instintos e razões que até a própria
alma desconhece são bem confusos
e repetidos
tédiosamente repetidos
iguais
tanta solidão
e só agora
e por que não agora?
me dou conta
me descubro mais e tão só
é muita companhia pra mim
companhia repetida demais pra mim
companhia demais pra mim
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19:26
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marcos assis
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rotulo (uma outra loucura), _poesia, espuma., tudo
terça-feira, 31 de março de 2009
um fabuloso destino
Tudo será precioso. Se acontecer diferente é porque era pra ser. O menor gesto meu afeta o resto. O maior gesto meu faz sentido apenas para mim. Auxiliar quem precisar, ainda que não grite por socorro. Ainda que para criar ilusões. Janelas - telas. Neste mundo caótico, alguém do meu lado que me leve para passear num lugar do coração. Neste mundo caótico, não obter glória às custas de bondade forjada: ser anônimo, comedido, livre, até onde der pra ir. Vagar leve, inabalável, por estes caminhos onde bonança, ocaso, suspense, luxúria, fascínio, assombro, desejo, risco e descanso caminham lado a lado.
texto . matehus matheus
sem palavras 88
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08:51
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marcos assis
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quarta-feira, 28 de janeiro de 2009
criança
leve
quero que leve como ar
quero de leve
sombra suave cinza fica pálido
... as areias do chão de cimento brilham na sombra pálida de sol
milhões de grãozinhos esparramados e presos no passeio
piscando no movimento
a sombra de cócoras
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00:40
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marcos assis
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quinta-feira, 25 de dezembro de 2008
o barulho daquele homem deglutindo...
é terrível.
mas me faz salivar
desconcertante
comendo o dia todo
o tempo passando rápido
dá pra perceber
(e salivar)
como uvas passas na farofa
pequenas bolinhas de doce
no meio da areia
perceber que se torna o que se detesta.
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22:11
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marcos assis
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sexta-feira, 14 de novembro de 2008
hoje
hoje
tomei o café e o leite
procurei
acordei assustado, do chão
minha cabeça parecia explodir
em pensamentos superficiais
leve torpor
isopor
café e cartas
hoje
escrevi um poema
dormi sem camisa
quase chorei
hoje
não cantei
não por não saber a letra
eu sabia
mas é que tinha alguém
me olhando
eu não suporto quando
as pessoas me censuram
hoje
leve angústia
princípio do sono
vi um filme
quase todo
hoje
quero ficar sozinho
só para saborear
o seco e frio
quero lembrar do que pensar
as palavras e a angústia
a melodia
hoje sem ilusão
mais um dia leve
quase torpor
profano
princípio da consciência
hoje
dormi de óculos
para ver as estrelas
pregadas no teto
hoje dormi
de cabelos molhados
lábios entreabertos
pensamento longe
lá na esquina
amanhã será hoje depois
não um novo dia
não um novo hoje
é o mesmo
distante instante
hoje
um dia de obras póstumas
pensamentos à toa agora
impressões mal passadas
mal engolidas digeridas como sapo
hoje dia de chorar e rir
dualidades e contrastes
desaprender desprender
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16:22
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marcos assis
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rotulo (uma outra loucura), [sangue, _poesia, tudo
quarta-feira, 22 de outubro de 2008
sábado, 18 de outubro de 2008
anestesiada
eu que sou feito de detalhes
sopro o sujo
para fora
eu terrivelmente coerente
neste mundo insano
ouvindo as reclamações na frente
cafajestando atrás
a gosma hospitalizada
a bola de ácido
o cheiro de carniça
eu tô meio anestesiado pelo frio
confuso e
afetado por todos essas folhas
grafite e palavras
entediado
meio também
meias palavras
certo não estou acostumado
que chova
limpa o ar, lava a alma
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18:58
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marcos assis
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rotulo _poesia, poesia gritada, tudo
quinta-feira, 18 de setembro de 2008
eu acordei hoje ainda dormindo um sonho profundo
eu não quero acordar agora mas tudo que eu já senti me vem
eu já não tenho certeza se quero levantar daqui
Tão ridículo e desonesto comigo mesmo que
chega a ser redundante
mas uma de minhas ilusões coaguladas bolsa de sangue
mais uma de minhas doces e tristes ilusões quase sóbrias
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09:36
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marcos assis
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rotulo (uma outra loucura), [sangue, _poesia, tudo
segunda-feira, 8 de setembro de 2008
SPLIT
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17:11
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marcos assis
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rotulo _flyer, _imagem, sociedade mutuante, tudo, vermes poéticos
sábado, 6 de setembro de 2008
SPLIT
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21:45
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marcos assis
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rotulo _flyer, _imagem, sarau urbano, sociedade mutuante, tudo, vermes poéticos
quarta-feira, 13 de agosto de 2008
quero que é esse cigarro queime meu olfato
que eu já não agüento mais sentir esse ar podre
trocar de idéia como que muda de roupa
o corpo é a tela e a cidade a moldura
a matéria é um sonho
e de vez em quando tem a sorte de passar um avião
em cima da cabeça antes de pousar
os guardas só olham mais nada
o corpo era bela e a ternura
às vezes tem o privilégio de sentir medo
já não quero que esse cigarro destrua meu olfato
demoliram minha casa e roubaram minha antena
POESIA RÁDIO
POESIA RÁDIO
POESIA RÁDIO
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15:33
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marcos assis
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sábado, 2 de agosto de 2008
a casa era na face do morro voltada para o nascente
a cera na cara do moço voltado para a mãe
a intenção era outra
mas o dia já passou
a sós o som no nada
lá o tempo era outro
a cena do moço na casa voltado para a parede
demora mas aprende
dava pra ver como o sol nascia ali
dava pra sentir o frio
dava pra ouvir a cachorrada latindo
a minha cadelinha não entende
as coisas triviais do meu dia
ali o tema era outro
arranhando o friso
que tem no tempo de cada tempo
riscando o vidro
que dava pra ver como o sol batia
amarrando o verso
pra entender como a vida funcionava
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01:07
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marcos assis
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terça-feira, 22 de julho de 2008
sonhei com ela
mas ela está bem longe agora
tinha encontrado em um posto de gasolina
(deitei no chão para tentar
descansar um pouco ou
pensar nela
e um pernilongo voou sobre mim
tenho forças pra levantar não
minha preguiça me cola ao chão
mas o inseto me incomoda)
(ontem à noite enquanto sonhava com ela
um vaga-lume entrou no meu quarto
acordei e vi piscando
verde, tudo negro, verde, tudo negro...
fechei os olhos novamente)
pisca pisca pisca
sempre me incomoda
mas é tão bonito
sonhei mais um pouco
ainda vejo o vulto de um espírito de mulher
me abraçando depois de um sonho
mas era real
sinto ainda o gosto do beijo
segunda-feira, 21 de julho de 2008
terça-feira, 1 de julho de 2008
mesma sombra ou o poema fora de fase
nas ruas da cidade
onde andam as pessoas
e seus olhos de vidro
com medo da própria sombra
nas noites de saudade
em que dormem seus travesseiros
que sonham seus sonhos aterradores.
e dançam, riem comem
suas vidas fora de fase
desperdiçando o momento, lembrando do passado
não passam não passam
a percepção atrasada
o ciclo fora de fase
o ciclo vicioso fora de fase
desperdiçando o momento, lembrando o passado
as celebrações dos gestos
escondidos de sutis
nas ruas da cidade
onde andam as pessoas
e seus olhos de vidro
com medo da própria sombra
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15:03
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marcos assis
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sexta-feira, 13 de junho de 2008
criança criança, que esconde entre versos
triste a chorar
acalento coberto
virtude onde se escondeu?
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15:53
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marcos assis
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rotulo (uma outra loucura), _poesia, anestesia, tudo
domingo, 25 de maio de 2008
curvas
a transparência
dos copos de vidro
atrás de mim
e eu que não consigo olhar
fico só ouvindo o barulho do imóvel e do nada que ainda não se sabe o que é
ontem
só era uma noite qualquer
como qualquer
outra
não consegui ver nada além de olhos
por trás deles apenas outro olhar
por eles apenas outro jeito de querer
para eles apenas
meu olhar
talvez,
dessa vez
eu esperava um inimigo para ter piedade de mim
cantava vivo
vivas e salves
olhos e noites
queridos e olás
vivas e olhos
vivia saudades e esperanças
e compaixão
crianças e velhos
só não vivo minha vida
eu posso até transformar
em um poema
mas me faltam as palavras
nem sempre a menor distância entre
dois corpos é
uma reta
eu até posso atropelar
tudo que vejo
mas me saltam coisas na frente
nem sempre fugir é uma solução
nem sempre fugir é uma opção
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00:56
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marcos assis
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sábado, 3 de maio de 2008
ainda assim desperto
por não conseguir pensar em outra coisa
e por não conseguir falar sobre alguma coisa
por não conseguir falar sobre nada
ainda assim desperto
qualquer mel é cobertura para minha poesia seca
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15:08
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marcos assis
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domingo, 23 de março de 2008
12 SET
todas as datas são iguais
a cria adulta me devora o eu
cobra criada
da vontade do longe
a saudade do que é nunca
saudade de nunca
todas as ruas iguais
os versos iguais
urbanos sorrisos
todo erro me devora eu
saciada
da vontade do novo
a saudade do que é não
saudade de não
toda vontade de novo
pessoa saciada do eu
eu depende das crias
da vontade, da vontade que ela tenha
a vontade da saudade
a lentidão do frenesi das ruas
e de todas as datas que são iguais
que se arrastam no padrão
que tanto faz
que se afastam no padrão
e então tanto faz
desde
04:53
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marcos assis
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terça-feira, 4 de março de 2008
quarta-feira, 16 de janeiro de 2008
por aqui todos são vândalos
versos para gravar a canivete
que se mostram
para qualquer um na mesa
explica-se demais
dedica-se demais
por aqui não passa
mas aqui não tem ninguém
quanto mais se tenta mais se pensa
explicar o que não se entende
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01:06
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marcos assis
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rotulo (uma outra loucura), _poesia, espuma., tudo
domingo, 9 de dezembro de 2007
outro dia de chuva
Senti cheiro de sabão
na chuva que veio
para lavar a alma dessa
tarde abafada grotesca lírica tarde amanhã finados
finos suaves tocantes e leves
Suave fragrância de tempero
às dez horas talvez
tarde demais para
fazer qualquer coisa
ou tentar resolver minha vida
ou querer pirar o verbo
E as gotas sobraram lá fora
deixaram um cheiro de asfalto e terra molhados
nos princípios
depois acostumaram com o barulho
de motores, serras, da serralheria e da chuva
Tarde de amantes à chuva
mortos pelo ácido
desistidos por mim
gotas e mais gotas
qual é, não consigo contar
que foi? não sei se isso é fúria
ou desilusão
apenas uma vontade de ter escrito
só coisas já escritas
passar a limpo
agora a chuva deixa um cheiro de sabão molhado
abafado
Hora normal para tomar um banho
noite dez horas: hora normal
dez noites e um rascunho de saudade
falta fica e sente
na rua do Benfica, princípio de utopia
não vivida, antecipada
na barragem do Benfica, corpos flutuando
na areia e lama
no morro do Bonfim, luzes e torres
para pegar o sinal
ondas eletromagnéticas e um nome que fascina
molhe-se, precisa de um banho
pólvora queimando rápido
queimando embaixo da chuva que parou
deixou tudo molhado
seco e frio
material como devia ser
Morto gosto do tempero
Senti a tarde correndo e eu sem poder correr
atrás
sem morrer e vendo o tempo
não alcançar
Devia percorrer o tempo
até achar aquilo que vai passar
ver as gotas de chuva escorrendo
pingando pingos de sangue
umedecendo o ar para passar
nos pulmões
afogando um escrevinhador de folhetins
baratos românticos fúteis que ainda existe
ou antes existia
Deixa eu sentir esse momento,
nunca aconteceu isso comigo
mas eu devia estar pingando de esperança
mas morte
os motes que acompanham a poesia
o épico que vive com a pretensão
mel pra urso de walt disney
alguma coisa pra tirar o salgado tempero
Desenhos com o olho e com o ar
os dedos e os peidos
algumas gotas e mais gotas
gotas e mais gotas
passar a limpo
o sujo e o solene
contar os momentos e
os espaços do tempo
amanhã feriado, tempo
(de lembrar e esquecer os que
parecem fazer falta e só se lembra
bons)
o sujeito hora normal: rascunho normal
tenho um princípio de espaço
contarei os espaços no tempo
os momentos princípios
tenho tempo, um espaço
desde
15:56
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marcos assis
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rotulo (uma outra loucura), [sangue, _poesia, tudo
quinta-feira, 6 de dezembro de 2007
agora eu tomei um banho longo
me lavei, todo, bem
enquanto eu tirava você de mim
ia pondo você em mim
seu cheiro saía do meu corpo
mas não saiu do meu ar
sua pele desencostou
mas deixou marcas invisíveis alegres caóticas
é óbvio
mas é só fechar os olhos
lavando as orelhas
sua fala desencantou
desmentiu
todo receio
sua língua trafega na minha boca e em todo
meu eu
(um sussurro um grito entoado)
agora eu tomei um sonho longo
me livrei me livrei me livrei livrei livrei
enquanto eu ardia em mim
ia pondo eu em você
pondo suas costas na parede
sorrisos nas bocas dentes na carne
pondo palavras feias num banho longo
desde
11:47
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marcos assis
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domingo, 18 de novembro de 2007
domingo, 28 de outubro de 2007
suspenso
inspiração do desequilíbrio ou
se sonetos são prisões vou estar preso
quase gosto de todo o meu desprezo
o barulho que irrita não acabou
quero me sinto se mesmo isso o sou
um idiota repreendo represo
como tudo que falo todo p(r)eso
o som está alto o sos não é ou (vido)
quem disse que não sou poeta? tento
agradar e convencer a mim mesmo
todas formas possíveis meu sustento
as mesmas torres caindo torresmo
são só frases para rimar atento
traindo distraindo tudo a esmo
soneto i
penso
inspiração do desequilíbrio ou
se sonetos são prisões vou estar preso
quase gosto de todo o meu desprezo
o barulho que irrita não acabou
quero me sinto se mesmo isso o sou
um idiota repreendo represo
como tudo que falo por surpreso
o som está alto o sos não é ou (vido)
quem disse que não sou poeta? tento
agradar e convencer a mim mesmo
todas formas possíveis meu sustento
as mesmas torres caindo torresmo
são só frases para rimar atento
traindo distraindo tudo a esmo
soneto ii
como o mais abstrato ridículo e profundo (inconstante título)
a cada um do jeito que quer aviso
todo mundo entende o jeito que quer
nunca se sabe escolher o talher
eu só que perco meu constante riso
passageiro que vier improviso
passa passos passa e vai se vier
tiro olho pássaro com colher
nunca se sabe quando perde o siso
vangloriar confabular o imprevisto
o mais abstrato ridículo mundo
vera como pode sempre mudada
uma última hora sempre desisto
ridículo o mais abstrato e profundo
como pode algo nascer assim nada?
soneto iii
o alienado
eu faço tudo depois de agora
todas as idéias e idas adio
já tudo mesmo começa tardio
enrolo volto faço minha hora
tudo é febril morto demais lá fora
o tudo é todo insano meio sadio
por que ir embora se remedio
sempre ou quando tudo muito demora
como nunca gosto de chaves de ouro
pego prego loucura uma peça
e mesmo nunca sei o que aconteceu
todas razões sanidades agouro
tudo que sei certamente começa
e todo esse poderio me devora eu
soneto iv
todas as idéias
aqui está o problema quase distante
a pesar de todos frios está calor
muitas idéias nenhum lugar pra por
a pensar a noite mais irritante
enfia no cu raciocínio amante
consiguir fazer coisas sem valor
tentar nunca e sempre um pouco propor
a pensar o dia menos adiante
de todos problemas aqui está a prece
acreditar não serve esperança
a mente se afoga em tanto muito ar
continua de mais tudo é o que parece
se por de muito correr tudo al cansa
concluir não adianta pensar
soneto v
domingo, 21 de outubro de 2007
forte
poesia comum
ninguém vê
tudo é pra ser lido assim rápido?
como o fim
como o meio
que nada importa
que nem sentido
afim
seu fim tá meio atrasado
seu fim tá meio atrasado
seu fim tá meio atrasado
seu fim tá meio atrasado
seu fim tá meio atrasado
seu fim nem começou ainda
vou voltar a ser
o que nem comecei
agora longe do meio
calmo
arreio
praga
volta a ser poema comum
de quem passa agourando
desde
17:33
por
marcos assis
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quinta-feira, 18 de outubro de 2007
inteligência
O desenvolvimento de tecnologia com o objetivo de reproduzir a inteligência humana tem sido foco de muita atenção há anos. Diversas ferramentas úteis têm sido criadas desde então, entretanto os resultados obtidos foram muito aquém dos esperados.
Para tentar desenvolver uma máquina, capaz de tomar decisões autonomamente, como um ser humano, antes é fundamental definir e conhecer o conceito de inteligência profundamente. E principal, saber se isso é suficiente para que seja possível qualquer tipo de decisão.
O ser humano não possui essa consciência. Até hoje não se chegou nem perto de entender como as decisões são tomadas em sua vida. Mesmo assumindo a postura mais cética quanto às possibilidades de se haver algo parecido com o que seja um espírito.
Uma característica importante na inteligência, é a capacidade de aprender e evoluir. Isso só foi aplicado até hoje em escalas minúsculas. Além disso não se conhece a real natureza do aprendizado. E nem há evidência de que isso seja possível de se realizar. Tudo indica que o mais perto disso que se pode chegar seja imitar esse processo.
Seria até possível imaginar um robô que se passe na prática por um ser humano, sem uma análise mais aprofundada. Mas isso não é ser efetivamente "inteligente". Tudo em uma máquina precisa ser programado e previsto antes. Copiar não é ter a capacidade de criar, aprender, evoluir e tomar decisões.
Um robô é capaz até de fingir emoções, mas não de senti-las, pois elas não são perfeitamente entendidas e entendíveis. Não há como formular um algoritmo que explique e ponha em prática um sentimento, que por sua natureza, é algo que não se pode entender. Nem inventar uma máquina que seja capaz de criar esse algoritmo. Admitir isso seria negar uma parte intrínseca ao ser humano, que é o próprio desconhecimento, seus desejos e sofrimentos.
A inteligência humana evoluiu de um processo natural de milhões de anos. O número de conexões possíveis em um cérebro humano é maior do que a quantidade de átomos em todo o universo. O ser humano não desenvolveu sua própria inteligência. Isso já exclui qualquer esperança de criar robôs que gradativamente se evoluem até atingir um nível de inteligência satisfatório. É como esperar que um monte de formigas fabriquem uma pessoa. Pura ficção.
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marcos assis
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sábado, 13 de outubro de 2007
sexta-feira, 12 de outubro de 2007
minha flor, jardim e quintal
Lembrei do sorriso
hoje não escrevi nada
Ninguém na rua,
passos no asfalto.
Tudo tranqüilo
e eu andando rápido.
Nada mais triste
que se esconder
sob a máscara da alegria.
está tudo bem
tudo bem agora
está tudo bem...
minha flor, jardim e quintal
cansei de me ver no espelho
eu vivo em um sonho
não sabia que havia
outras ilusões além de mim
outros iludidos
mas são apenas ilusões
e o sol arde em meus olhos
não consigo ver que estou triste
apagado
e lembro do sorriso
o aparelho
tudo real demais
luz na escuridão, vácuo
ponta de verdade no sonho
lembro da música
mel nas pedras
Eu andando rápido.
Tudo que sou,
em meus olhos.
e lembro do sorriso
o abraço
por um momento, tudo verdade
tudo que eu mais esperava
era aquele abraço
era aquele rosto
aquela garota me vendo
Apenas penso no que vou fazer.
O que vou fazer com
essa esperança que me sustenta
e entorpece...
só esperar
Eu não ligo mesmo
tanto faz
esquecendo coisas
trocando o certo
pelo errado ou pelo duvidoso
tendo certeza
de nada
tenho certeza
que ainda...
A escuridão da noite
vai invadindo meu quarto
abafado e não sei
se levanto daqui
ou se apago a luz.
está tudo bem
bem na hora
está tudo bem...
Bem agora.
Olho para frente
mas o sol em meus olhos
o som em lugar nenhum da rua
que me lembra passos
mas
agora vejo pessoas
não que me importe
na verdade prefiro estar só
alguém olhando para mim
já é outra rua
todas as metáforas desse mundo
Estou me achando
meio apagado, triste.
não tem duplo sentido
tenho sentido nada
não tenho me sentido muito bem
não tenho sentidos
não tem muito sentido
ficar e não viver
não morrer de amor
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19:04
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marcos assis
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domingo, 7 de outubro de 2007
breve ensaio sobre o barulho do urucum
o fruto do urucum só dá barulho quando tocado suavemente
como pele
um barulhinho engraçado e bom de água caindo na bica
espinhos de mentira
fabricadores de água e pensamentos bons
ou nada disso
como fases
estranhas
mas pensamentos bons ainda continuam por enquanto
como música que não sai da cabeça
como vontade que não sai do corpo
como abraço e cheiro que sai no ar
abraço e cheiro sai no ar
como longe
vontades
assim querendo ir embora
mas não quer
não vai
não vai porque não quer
porque o mundo a dez metros de distância é podre
e não tem parede cobrindo isso
nada que barre toda a tristeza que vem
mas a tristeza se transforma
muda
belamente
muda
muda
aí vê o que tem num toque
que modifica com todo o carinho de quem gosta
modifica os pensamentos tolos de outrora
e fica
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11:27
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marcos assis
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sexta-feira, 5 de outubro de 2007
sexta-feira, 7 de setembro de 2007
segunda-feira, 13 de agosto de 2007
domingo de noite no ponto de ônibus
o menino não parava quieto! nunca vi tanta energia
e aquele frio
me dava na cabeça que eu um dia também fiquei empolgado com coisas como ver os ônibus passando e olhar a placa e descobrir quais já tinham passado
isso simplesmente deixava o menino inquieto
- esse já passou... esse já... o 1207 não passou ainda não!
pulando e falando alto, com a vó, que numa paciência admirável se continha a apenas não achar interessante a atividade do menino
e tinha aquele sorriso de quem pensava coisas como as que eu pensava ao ver a cena
um sorriso igualmente contido, de passado e de vida
e o menino animadíssimo que quando chegasse a hora de dormir
dormiria igual uma pedra
mas agora ele tirava a blusa dando pra velha segurar
e pulava mais
gestos de super herói
óculos ou binóculos de mão
olhando pra mim
com aquela cara de interesse
nessas coisas que ficam normais
normal mal mal mal
confesso que fiz um óculos de mão também
embora não precisasse
meu óculos de metal e plástico já rende brincadeiras demais
tá ele olhando pra mim
daquele jeito
do jeito que é um monte de jeitos
e aquele frio e aquele menino sem blusa!
- você tá vindo do hare krishna?
- o que?
custando pra entender
só faltava essa, eu tenho cara de nando reis?
- eu tava na reunião do hare krishna!
- ah é? eu tô voltando de viajem. olha só esse malão aqui...
eu na maior calma do mundo, tentando ensinar o pirralho a ser observador
e sem o tédio cotidiano de começar a semana esperando
- pra onde você tá indo?
- pra pampulha! tô indo pra casa. eu moro perto do aeroporto
- ...
- sabe onde é? já foi lá?
- nãaaao...
aquele não longo de criança que tá em uma posição inquieta e desconfortável e displiscente
- ...
- pra mim você tava na reunião do hare krishna!...
- não... eu tava viajando
- de avião?
- não
- de ônibus?
- não... eu vim de carona, de carro. agora eu vou pegar ônibus
- e depois você vai de avião?
e depois de algum tempo tentando (talvez em vão) explicar aquela complicação toda que era morar perto do aeroporto, viajar de carro e depois pegar ônibus
- eu já fui num aeroporto!
- hum é chique né?...
desistindo de tentar explicar o menino que eu moro pertinho do aeroporto e nunca fui em um aeroporto
na verdade, nem eu mesmo entendo isso
você já viajou de avião?
- nãaaao... eu fui pegar um amigo meu!
o ônibus chega e ele se despede de mim com aquele toque de mão que depois dá um soco de leve
- falô
- falô!
dentro do 1207 eu vejo fora dele um reencontro
num ponto do centro
traduzido em um abraço forte apertado
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09:44
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marcos assis
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domingo, 12 de agosto de 2007
sexta-feira, 10 de agosto de 2007
o eterno conflito
distúrbio
interno
talvez pensado mais baixo
mas não existe um quinto dos infernos para ir
só o núcleo de terra
quente devorador
aconchegante
baba
por quê?
mas vai ter um elemento de transição
versos mais curtos
antigamente era mais natural
parece que faz alguns mil ânus
novo, terrivelmente novo
triste tutear
tatear, aliterações e assonâncias
terréveis
terra
terríveis falta de palavra
flocos
sorve
quase tudo
não é de propósito
agito a espuma já lá
explode
elementos
mente
terrívelmente
retorno
drásticamente
mente, mente mente
nada é verdade
mente descaradamente
mistura e agita
verde posso buscar o começo
eu acho que é tudo sobrio sério
demais para mim
surreal mente
racional
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10:08
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marcos assis
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rotulo (uma outra loucura), _poesia, espuma., tudo
quinta-feira, 9 de agosto de 2007
uma me ensinou a dançar rock. e eu não aprendi.
outra me ensinou a dançar forró. mas eu já sabia.
eu não tenho ritmo.
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marcos assis
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sexta-feira, 3 de agosto de 2007
angústia
Angústia - João Ricardo e João Apolinário - Secos e Molhados
Agonizo se tento
Retomar a origem das coisas
Sinto-me dentro delas e fujo
Salto para o meio da vida
Como uma navalha no ar
Que se espeta no chão
Não posso ficar colado
A natureza como uma estampa
E representá-la no desenho
Que dela faço
Não posso
Em mim nada está como é
Tudo é um tremendo esforço de ser

imagem: esther
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marcos assis
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quinta-feira, 2 de agosto de 2007
linha estrelar
“...queria andar com você na linha do trem um dia...
imagem: esther
porque você num me diz pra gente subir uma escadinha pr’outro mundo
e ver o céu sorrir?
e sentir o vento de estrelas...”
(desenho feito no ms paint com mouse)
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marcos assis
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terça-feira, 31 de julho de 2007
__________________________________________________
e eu tentando entender tudo aquilo
porque entender é bem mais fácil
e entendi
nunca deixo ninguém chegar bem perto mais perto
...medo
?
que mais seria
quem mais queria quereria ficaria
tudo é tão desisti
tudo me face estranho
tudo se perde do meu olhar do meu domínio
domínio
pretérito perfeito
feche um pouco
se me enforcaço
__________________________________________________
as coisas se perdem do meu campo de visão
(porque as coisas se perdem do me domínio?)
as coisas acostumam
ninguém chega perto
parece que vai ficar por ali mesmo
todo mundo viaja
todo mundo compra no natal
compara as coisas
tudo é fácil de mais
Tudo se perde no meio do abismo do mar do triste fim
do fácil
o que me apraz
__________________________________________________
eu ouvi uma música
estava percebi que estava como eu estava
como eu estive nesses últimos tempos
cagando e estudando química
a gente tenta entender demais as coisas
a gente se esquece
mas tem gente que lembra
e tem gente que nunca se esquece
que provas mais eu quero?
tenho mesmo é que mudar meu geito
__________________________________________________
certas letras doem pra sair
quais são minhas metas para meus 18 anos?
como se importasse doar sangue
doar córnea se eu morrer
como se importasse levar em conta o poder
quer dizer os argumentos de outros
mas são letras mesmo
que, esquecidas no alfabeto, se repetem até cansar
eu sei que não faz muito sentido para os meus 18 anos
é que metas nunca são cumpridas mesmo
e eu não sei se vão querer meu sangue
certas idéias duram
certas coisas cetro parecem me esquecer
certas pessoas parecem me agüentar
algum parece viajar viajou mesmo
às vezes vejo pessoas na rua
às vezes me lembro de velhos hábitos
que são sempre compridos
sempre decrescentes
certas vezes não existem
não há o que é cetro pra fazer
as coisas nem sempre podem estar sob o domínio
__________________________________________________
certas pessoas são lembradas nas horas mais impróprias
não traio minha coerência
demorei tanto pra pensar
não desminto minhas novas
não nego
tem título que não pode existir mesmo
aquela velha pergunta deve estar passando pela minha cabeça
ou passeando por aí
vagando entre suas horas livres
eu é quem faço meus horários
a mesma ignorância de sempre
o mesmo livro velho
por falar nisso vou reestreá-lo
__________________________________________________
reestrela
estou cansado do épico convencimento de si mesmo
eu sou tão bom nisso que já não sei qual é minha opinião
ou qual é a minha opinião
veja! é um beco sem saída
estou cansado de me comover com os outros
como
mover
comovier
estimnulo
não faço folhetos pornográficos
não preciso
idéia sai da cabeça
poesia vulgar sai da cabeça
porque não
minha vida já é meu próprio barbarismo e não compartilho
meu egoísmo com ninguém
meus versos
ao
__________________________________________________
reflita
desestimnula
Descansar na santa paz do pingo no i
desforçar
Descampeonatar
Tempo pra que
Templos já fazem o serviço
Temos é que nos desmentir
Fingir que acreditamos no que nunca pensamos sobre
Fingir que cinicamente nos colocamos no lugar
em algum outro lugar qualquer.
bênção bela fraternidade
o próprio ideal do poder
__________________________________________________
o próprio ideal do não deixar
negar
negar
está faltando um ponto final ali
meus maus versos
peço
meus naus que vero vejo
meus paus de peça
meus maus vira
meus maus versos
meus maus versos
certas letras nos acertam em cheio
e ficam as marcas
como tatuagens de primeira letra de namorado
ficam lá guardadas como finjam que gosta
estila
__________________________________________________
é o fim
é o fim
é o fim
de um pensamento
vou só mente estudar química
não dá mais tempo de pensar
minhas pernas doem como que
se acostuma a dormir sem escovar os dentes
como quem se acostuma a comer a pasta de dente
moído
dente deleite
__________________________________________________
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16:28
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marcos assis
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domingo, 29 de julho de 2007
Remorso de vidas passadas
Viciado em coisas
que nunca provei
Apaixonado por pessoas
que nunca vi
Venho pedir perdão
por erros que nunca cometi
Culpas e outros já
não alteram meu humor
Na minha última encarnação, eu
era ateu.
A arte nas coisas
sem sentido
nos prende
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marcos assis
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livro
- paranóia (11)
- coisa (9)
- (uma outra loucura) (7)
- isopor (5)
- [sangue (3)
- espuma. (3)
- poesia gritada (2)
- sociedade mutuante (2)
- vermes poéticos (2)
- anestesia (1)
- fissura (1)
- lucidez (1)
- marcos contra o gilete (1)
- obsessão (1)
- sarau urbano (1)
kebrandou lápis pincel








