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segunda-feira, 3 de maio de 2010

vasta obra

por marcos e myra

mamãe é do norte de Minas
meu pai é da Bahia
eu? nasci no Espírito Santo
já morei em tantos bairros de BH
eu mudo muito
nessas andanças perco as coisas mudanças
perco os livros músicas poemas
perco pessoas
papéis avulsos
em mesas de bares
banheiros públicos
restaurantes
verdade, eu escrevo e fica
minha vida já é uma história
pode ser que sim
pode ser que não

terça-feira, 27 de abril de 2010

se seus olhos não fossem tão verdes
[eu apagava a luz de cor que não
[dá pra não ver porque eu já tenho
[muito desse olhar

ver e lembrar se cê viesse eu tão lá
[de não conseguir mais não querer
[que não tem outro lugar pra
[olhar

domingo, 18 de abril de 2010

ASSOBIO

deixa eu ser
feliz alguém pra você
enconstar assoprar e beijar

deixa eu ver
sorrindo seu sorriso você
tocar cantar fingir

eu te ver de novo
consigo viver
depois e durante
mas não quero
quero ir praí
correndo até chegar
quero mordiscar
lamber babar


consigo ficar
manter e permanecer
mas não sei se devo
não sei se seria se

deixa eu ficar
assobiando como quem
não quer nada

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Teorema da divergência

Euler e Leibniz nunca estiveram tão certos:
o entre-prédios
está dentro de mim
com seus barulhos estranhos
gaitas de ar condicionado
e estranhas harmonias

Newton e Gauss muito acertaram:
o tempo do cigarro
, ou do café,
de todo dia
é desculpa para pensar
ou só mesmo evitar

Faraday e Ampère bem ressaltam:
todas essas conexões
em dias assim
provocam abstração no estômago
de pensamentos soltos
e angústia amena

terça-feira, 7 de julho de 2009

poesia atonal

é assim que ele sabe ser
e ela fica desfazendo da única vaidade minha
e quando você saía
da porta da frente
pra ver quem era
eu estava com o nariz colado na porta
olhando no olho mágico
e as palavras se perdendo na minha cabeça
você perdendo no lençol
os três na escada
você abriu olhou e fechou
leia agora antes que seja tarde

é assim ser/ desfaz a vaidade/ você saiu e voltou/ eu voyeur/ as palavras sumiram/ o lençol/ nós três/ leia agora

é ser vaidade olho mágico palavras no lençol três leia agora a tarde

é secar no sol de tarde
o sol se põe antes da noite
os prédios guardam o sol
e um vazio entre o dia e o fim
antes que seja noite
já não é mais tarde
tento ser gentil carinho
(espero que perceba)
mas não significa nada
não quero     ver de novo
    envolver
nos meus lençóis
a poesia esparramada no chão
você abre e fecha a porta
e não entra não inverte
você no meu olho mágico
dez vezes menor dez vezes longe
e a minha poesia, minha única vaidade:
ela se desfaz

terça-feira, 1 de julho de 2008

mesma sombra ou o poema fora de fase

nas ruas da cidade
onde andam as pessoas
e seus olhos de vidro
com medo da própria sombra

nas noites de saudade
em que dormem seus travesseiros
que sonham seus sonhos aterradores.

e dançam, riem comem
suas vidas fora de fase
desperdiçando o momento, lembrando do passado
não passam não passam
a percepção atrasada
o ciclo fora de fase
o ciclo vicioso fora de fase
desperdiçando o momento, lembrando o passado


as celebrações dos gestos
escondidos de sutis
nas ruas da cidade
onde andam as pessoas
e seus olhos de vidro
com medo da própria sombra

domingo, 23 de março de 2008

12 SET

todas as datas são iguais
a cria adulta me devora o eu
cobra criada
da vontade do longe
a saudade do que é nunca
saudade de nunca

todas as ruas iguais
os versos iguais
urbanos sorrisos
todo erro me devora eu
saciada
da vontade do novo
a saudade do que é não
saudade de não

toda vontade de novo
pessoa saciada do eu
eu depende das crias
da vontade, da vontade que ela tenha
a vontade da saudade

a lentidão do frenesi das ruas
e de todas as datas que são iguais
que se arrastam no padrão
que tanto faz


que se afastam no padrão
e então tanto faz

terça-feira, 4 de março de 2008











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