sábado, 5 de julho de 2014

rastros

o rapé na mão
o rapé me mostrou que a limpeza começa de dentro
a planta mãe me mostrou como se faz
a planta mãe dupla nascida separada
juntada no ritual de fogo e água
eu que sou feito de fogo e água e ar
eu que sou juntada por todos esses signos que carrego
a planta mãe doada

eu que sou feito de pegadas
pedaços que deixo no caminho
por todas essas fumaças sopradas
a planta mãe nascida separada
eu no ritual do caminho
passo
o rapé no meu corpo
o pó de toda estrada que se agarra a minha pele
eu que sou todos esses signos em que me apego

o ritual forjado de pedra lenha fogo
por todas essas jorradas
de tudo que se deixa
o corpo em seus significados é sábio
desapegado de quase tudo
seu acúmulo de detalhes
deixa muito mais passar do que retem

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