domingo, 4 de outubro de 2015

esqueci minha paciência no seu colo
nos pelos nos seus pés pedi
me ergo e espreguiço minha ausência
meu miolo meu caroço estralo
estrela vulgar na noite alucina
eclipse da lua ofusca e ilumina
esqueci meus óculos tudo deixei
meus ósculos elipse da lua
fez chegar mais perto
e vai dar um jeito
e vai desse jeito
estendi minha insistência
em sentar deitar e me soltar
até dormir
mas ergo e vejo
numa casa onde é sempre dia
era eu e ausência sobre suas pernas
sob seu ventre afundando
nos cabelos nos poros
no alvoroço que fez a rua
o cadarso o remorso
estranha alquimia
sobre seus seios
sei e quis me desfazer
no começo onde errei
mas aprendi
arrependi menos
semelhantes sementes
em deitar rolar e me sujar
até fremir
subjugar até restar
bramir enfurecido
remoer até ficar mais forte
e vai sem jeito dar
estanque vagar
meus óculos a lua encima
não sabe dialogar
não sabe nada até chegar
devora uma semente de cardamomo
que não haja na sala febre
sob seu ventre vem anunciando
o ciclo lunar vermelho
pousa sobre o cabelo
mariposa ardente em desespero
mas ergo e quero
numa casa a distância em dentro
no alvoroço que fez me seja
o mortal numa tarde onde é sempre dia
que delícia suas pernas
demora em cima

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