sábado, 4 de outubro de 2014

escombros

[um sonho de pássaro sobre um sofá céu azul]


um dia alguém me perguntou qual era meu sonho
eu, que nunca sonhei, não respondi
remoí
ruminei a resposta breve que precisava
eu que não lembro meus sonhos quando durmo
não sabia mais tanto sorrir
eu que precisava viver
envivei a mensagem nessa asa
minhas penas cortadas já renasceram alguma vez
pois que penso enquanto não durmo
minhas sombras regadas uma vez já foram podadas
um detalhe sobre a minha casa
é que uma placa de não estacione virada é um símbolo de não existe
eu que nessa alegria, quando tudo desaba
demorei
mas parti pra uma nova vida de tudo menos pensado
o que sou além de espaço?

minha cabeça leve pensava poesia enquanto pulava
que fazia a pequeneza do meu frágil gesto
enquanto era fácil esse ar, me deslocava
mas não podia pensar, pensar pesava
uma vez entre outras me deixei cair
meu dentro leve
podia enfim descansar
naquele cobertor macio
minha vida uma vez mais cortada
que em cima um azul
que precisava precisava sorrir




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