quinta-feira, 24 de setembro de 2015

pode não por esse veneno em minha boca
encontre outro hospedeiro
a saliva que cai e
tudo é escolhido
o momento serve ao concreto da poesia
não por essas palavras
na minha visão
pois não
entranha em si
espatifar todas as palavras
nesse texto sem espaço
sem esperança
tudo absolvido
absorto envolto na seda
não por mim
na minha posição
não esperava a noite que cai
apesar do cimento contínuo
pode tecer teia entre poste e placa
sob a lâmpada
afronte a lua
ao passar não chame
não explodir
implodir no que tece
mesmo veste
não passe por mim
não lamba barba
depois espalhar esporos
em constelações
não venha
pode por estes olhos passar
lembro uma vez
alguém lambeu meu olho
e tudo ficou ao certo da poesia
à margem
à deriva
sub a lâmina
em um filme
alguém podia esfatiar a lua

olhar pra cima

céu preto
tudo absoluto
seu passo certo
eu sei
precária forma em você cai de tudo
essas estrelas devem cair também
um dia
desse pó tudo deu
afia esse olhar

pode guardar essa fatia
o seu perto absurdo
alguém podia esfaquear a rótula
se perde
seu passo vacila
se eu passo a sua fome uiva
pode expelir essa palavra
eu sei que você quer
a penetração da quelícera
a liquidação da carne
desprezar minha casca




(lua crescente no meio, equinócio de primavera de 2015)

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