eu era todo corpos e olhos, alheio
estive aqui ali todo o tempo sem saber
esperando de boca aberta, braço largo, espera
era em tomos que lhe dava suas cartas
ao pé da mesa em que escrevia
eu era em pé, a pé, de pé?
estava aqui ali dizia sem dizer
conversa muita
vai ver fui eu
esse balanço foi só na ida
subi subi sem tchau
fui ver tudo de cima [vertigem [não [não
mais longe que qualquer distância caminhável
mais alto que todos os passarinhos que conheci no caminho
que me sentei rápido demais nessa gangorra
era todo alheio
fazia pouco, menos que o mínimo
era eu ali pintado e tecido
era todo corpo e desejo
sem deus, sem dó, sem graça
esperando de boca fechada, engolia, espera
era de tempos em tempos que acontecia
ao par na mesa em que olhava e beijava
era eu em pé, café, será?
fui espinho no corpo-junto dos outros
era chato, batido, áspero: forma, insistia
fui nessa de ir sem tchau fui nessa
estava ali sem paciência também
o ritmo vinha sem força
era assim, todos corpos, olhos e afetos
esperando louco aberto-fechado angústia frágil conheci sem caminho
talvez não importa mais
se é assim que seja
fui nessa ida sem saber
sub ida frágil fácil
súbita, puxo
onde está?
onde está seu desejo, seu corpo, seu toque contato contanto que seja amanhã, não hoje, não outro dia
suas asas cortadas, colecionadas, mil vezes lagarta
fui nessa vida sem poder
coisa insignificante obcecada
era todo apelo
ali, meu desejo que não entendia
o grande rolo das pessoas modernas
era ali
onde tudo seria possível
combinamos outro dia
a urgência que podia esperar
não queria incomodar
faz como for melhor
como for
era eu ali, todo apelo, sem pelo, sem casca, casa, tomada cortada solta no chão, casa tomada
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