segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

boca beat

eu ouso todos os seus poemas
outra prova
provo
co loco
outra deixa
eu ouço todos os poemas
escrevo vida na ponta do fio
eu ouço seus tons
o silêncio é o que falta
na minha boca desesperada
eu escrevo a ponta do fio
enfio
outra dentada
em todos os tempos do som
eu na ponta do meio fio novamente

outra coisa deixa
ou teço semi sons
outra coisa
eu ouso dizer que pela
minha boca desesperada
nascem respostas óbvias e macias
eu sei de tudo
sei
minha boca saliva
em outros tempos no tom
obviamente

os golpes agudos
em outro corpo deixa sua marca
eu na ponta da língua novamente
em outro corpo deixa sua língua
eu na ponta do toque
que puxe que passe
todo tempo flui como posição
em outro tempo deixa sua lábia
eu na ponta do pé aqui continua quente
os golpes profundos
eu outro corpo deixo minha mente
nascem respostas de tudo eu sei
mas não me interessam
deixo meus dentes
na porta da carne
que tudo puxasse
soubesse


a geografia dos mesmos versos

mas não me interessam
aqui no pé da porta sou poesia
sou pró
sou paralelo
a geografia dos meus sentidos
outra saliva
o selo da sua carne
em outro corpo de pé fui contido
eu na resposta de tudo eu sei
se
tudo que puxasse fosse poesia
eu sei
deixo minha mordida
aos que não interessam
pela lógica torta dos meus caminhos
sou pó
sou paralelo
aqui minha porta não se abriu


mas andei a procurar
a isso mesmo
mesmo assim
espalhei o pó em que me fui desfazendo
pelos ares de tantas voltas
mas hoje essa cidade não venta
então deixarei
sou pé
sou perpendicular
em outro passo meu corpo é beat
mas não me interessam
antes a estrada que também não li
fé em si
sou pré
sou perpendicular
aqui a geometria destes versos se abriu
aos que não interessam
deixo pelos
se tudo que soubesse
fosse boca
ouso outros poemas
hoje essa resposta não volta
em qualquer passo meu corpo é dança
então fosse fé
seria assim
feto

não uso porque
a imagem em me abre horizontes diversos
fez em si
enfiou
boca com pelos
deixo você
se antes soubesse
mas também não li
eu sei
apenas do que me trouxe até aqui
a trilha que repito a ouvir
mas qualquer passo desfaz o tempo daquele olhar
fosse boca falaria
mas também não vi
a trilha que repito a olhar
mas já não está ali
meu corpo beat
cada play é eu sei
debaixo de você
seletiva

boca beat porque
a imagem que fez de si
ouso olhar
se dissesse sim
eu sei
outros tempos fosse boca beijaria
boca beat deixo você também
a trilha que insisto em ouvir
eu apenas li
mais que
sei
apenas o que me trouxe aqui
falaria por si
eu leio todos os poemas
ouço falar por essa lógica torta
o caos que fiz em mim
eu a resposta óbvia
apenas repito a olhar
eu rasgo horizontes
mas as barreiras postas
até o fim da paranoia eu sei
boca beat beijo você também
e falaria por si
até o fim pedaços sós
eu apenas ri

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