sábado, 28 de março de 2015

carbono

um texto de plástico para um ódio necessário
pessoa assustada toma remédios
evita encarar a morte de perto
costura o golpe da agulha
que perfura
e mais dentro insere

o afeto mais líquido
aquele que arde-sem-alarde
à sorte da escrita capilar
onde o sangue troca
oxigênio por gás carbônico

enfia suas lástimas-lágrimas para um ódio solitário
afoga mais um afogado
ofega forte sem folga
aqui a trocar
um trato tal teve
mas hoje todos dias ruins
sufocados
desenhados

na caixa de papel contém a bula
sabe
sobre essas receitas todas sobe um ar
uma respiração ofega uma mesma vontade
alguém foge toda certa
sabe
percebeu tudo
e parou de olhar
sem perceber
parou de querer

envia alguém por temer
já não aguenta tanto prazer
que percorrem nos nervos da dor
que ligam ao cérbero e músculos
que trama perfurada
envia outro olhar
sem lembrar que o atrito faz tremer
o toque continuasse a correr
todos os músculos da dor
que mais perto da morte afeta seu medo

a cápsula de plástico sabe
que diluída a dor quem vive é quem sente
um texto artificial contraditório
já não precisa mais viver
sabe
nesse exame feito pelo reflexo de outro ser
que liga a trama aos fatos
seus remédios e flores mortas
pudessem estar sempre vivas
pregadas com fita adesiva
nessa face muda
muda

Um comentário:

  1. não procure seu beijo em minha boca mais
    se um dia foi o que te dei
    hoje lhe tomo
    como toma essas palavras
    que decoro pra dizer você
    não toque minha pele
    nem ouça minha pulsação
    se hoje lhe tomo
    nos braços amanhã não mais
    se foi o que lhe disse
    deixe estar

    o viço insistido
    hoje me toma
    presença e companhia
    como decoro pra saber
    hoje minha pulsação em você
    se um dia foi que te dei
    como tomo essas palavras
    que carinho tem pra ter
    nem hoje sem agitação
    corro nesse trilho pra chegar
    não mais na minha mão
    hoje não

    se tudo isso que disse ser colorido
    hoje um dia acaso encontrei
    você nesse fim
    hoje como
    que digo pra você?
    se mais que tentei
    foi por ter batimento
    como um dia lhe tomei
    nos braços assim e lhe disse

    que tudo isso era simples
    que carinho vem pra ver
    hoje carrego muito nessas sacolas
    que carro pego você também
    por acaso entrei
    se hoje lhe olho
    errei

    nessa escola
    onde tudo era dias
    e dias
    coincidência se digo o que?
    que tudo era simples
    escolha
    se foi ter batimento
    que mais tomo nessas aparas
    não procure o pouco que tomou
    se por mais que salivei
    foi por ter pensado
    em braços
    beijos
    e mais


    [28.02.2015]

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