um texto de plástico para um ódio necessário
pessoa assustada toma remédios
evita encarar a morte de perto
costura o golpe da agulha
que perfura
e mais dentro insere
o afeto mais líquido
aquele que arde-sem-alarde
à sorte da escrita capilar
onde o sangue troca
oxigênio por gás carbônico
enfia suas lástimas-lágrimas para um ódio solitário
afoga mais um afogado
ofega forte sem folga
aqui a trocar
um trato tal teve
mas hoje todos dias ruins
sufocados
desenhados
na caixa de papel contém a bula
sabe
sobre essas receitas todas sobe um ar
uma respiração ofega uma mesma vontade
alguém foge toda certa
sabe
percebeu tudo
e parou de olhar
sem perceber
parou de querer
envia alguém por temer
já não aguenta tanto prazer
que percorrem nos nervos da dor
que ligam ao cérbero e músculos
que trama perfurada
envia outro olhar
sem lembrar que o atrito faz tremer
o toque continuasse a correr
todos os músculos da dor
que mais perto da morte afeta seu medo
a cápsula de plástico sabe
que diluída a dor quem vive é quem sente
um texto artificial contraditório
já não precisa mais viver
sabe
nesse exame feito pelo reflexo de outro ser
que liga a trama aos fatos
seus remédios e flores mortas
pudessem estar sempre vivas
pregadas com fita adesiva
nessa face muda
muda
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não procure seu beijo em minha boca mais
ResponderExcluirse um dia foi o que te dei
hoje lhe tomo
como toma essas palavras
que decoro pra dizer você
não toque minha pele
nem ouça minha pulsação
se hoje lhe tomo
nos braços amanhã não mais
se foi o que lhe disse
deixe estar
o viço insistido
hoje me toma
presença e companhia
como decoro pra saber
hoje minha pulsação em você
se um dia foi que te dei
como tomo essas palavras
que carinho tem pra ter
nem hoje sem agitação
corro nesse trilho pra chegar
não mais na minha mão
hoje não
se tudo isso que disse ser colorido
hoje um dia acaso encontrei
você nesse fim
hoje como
que digo pra você?
se mais que tentei
foi por ter batimento
como um dia lhe tomei
nos braços assim e lhe disse
que tudo isso era simples
que carinho vem pra ver
hoje carrego muito nessas sacolas
que carro pego você também
por acaso entrei
se hoje lhe olho
errei
nessa escola
onde tudo era dias
e dias
coincidência se digo o que?
que tudo era simples
escolha
se foi ter batimento
que mais tomo nessas aparas
não procure o pouco que tomou
se por mais que salivei
foi por ter pensado
em braços
beijos
e mais
[28.02.2015]