quinta-feira, 10 de outubro de 2013

e finalmente eu estraguei minha poesia

mesmo depois de uma vida inteira de treino em segurar o choro
não tem servido mais
minha poesia-angústia não cabe nesse papel
não cabe em mim
eu até que como como
mas fica um vazio
se fosse tudo simples
teria mais gosto nesse emaranhado
teoria mais no gosto
franja do olhar, espalha meus cacos meu pó
eu serei o melhor de tudo
que tem nada pra ser
porque somos essa página em branco?
se tudo que se escreve é escrito a sangue, nem se vê as sinapses, tudo é escrito com sangue
e tudo tem gosto de sal
fica mais difícil de caminhar vendo o próprio sangue no caminho
furo meus olhos, deixo, desapego
sigo cego, mesmo depois de uma vida inteira
sendo só sigo mudo burro infeliz
mesmo depois de dar cabo em tudo
e o melhor: tudo isso é culpa minha
eu quem estraguei minha vida

Um comentário:

lave

metâmero




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