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quarta-feira, 10 de agosto de 2011

pandora


não há culpa em ser
não há o que preencha esse espaço nem nada que alivie o peso das coisas
a vida não se escreve sozinha
porque não há escolha que não possa ser feita

em que fundo se esconde toda essa melancolia?
e cada dia é mais fácil de ser máscara
com azia na alma

até que um momento fugaz lhe vira do avesso
expondo em carne viva, à flor da pele, à queima roupa
com ânsia na cara


e mostra que esse jeito reto anti-subjetivo
essa evasão do sujeito é uma falácia
e cai em si

domingo, 15 de novembro de 2009

Impressões cruas

Impressões cruas

O cheiro bom e forte
mas artificial
de bom-ar
coisas passando pela minha mente
eu não posso entender
conversa e papo pro ar

A música do rádio
e os prédios
sorrisos
e olhares (belos olhos)

(depois eu termino)

Eu de novo
Não, depois.





























esse texto foi escrito no melhor bar de todos os tempos, o chaplin.
eu tinha 14/15 anos e o chaplin era o bar onde eu ia com a tereza matar as aulas da tarde e aprender a beber e fumar.
o bar era todo decorado com frases e fotos do ator-diretor-roteirista, e as paredes da esquerda eram assinadas por todos os visitantes. ficava num porão que dava pruma esquina. lá dentro tinha outro cômodo onde alguns frequentadores de sempre ocupavam as mesas de aço.
apesar de tudo, era copo sujo.
lá eu bebia um drink ótimo, o aviãozinho: metade vodka, metade martini, muito gelo e um halls preto.
o dono era um ex-radialista, que abria de tarde só pra gente. enquanto ele limpava, a gente ficava conversando e bebendo lá dentro.
sem surpresa nenhuma, o lugar durou pouco tempo. antes ia gente de todo tipo, desde os tios até adolescentes querendo se divertir na monótona cidade de itaúna. acho que ele não era um bom administrador, e no fundo, aquele não era um ponto comercial bom. logo ele arrendou pra outro cara chato. acabou que mudou o nome, a decoração, virou um bar rosa, onde a gente não se sentia à vontade da mesma forma. a gente se sentia deslocado e quase hostilizado. logo acabou tudo também.

impressão crua se tornou o mote de outro trabalho. acho que não dou conta de defini-lo, mas algumas coisas são claras sobre sua natureza:
- de registro
- de distorção do conceito de autoria
- de gosto pessoal
- de situações
espero em breve escrever mais sobre isso. tem algumas coisas interessantes a se dizer, como por exemplo sobre as mensagens de celular do matheus.

o poema acabou entrando para o meu primeiro livro: isopor - ainda inédito em sua maior parte. depois disso foi o início de uma época onde eu comecei a escrever muitas madrugadas. eu escrevia muito, livros inteiros. esse período resultou - além de outras coisas - em um trabalho que gosto muito, uma coleção de quatro livros: (uma outra loucura). mas isso já é outra história...

segunda-feira, 26 de outubro de 2009


vejo muito menos que as coberturas desses prédios
nem posso tocar as águas que passam
do outro lado da janela

domingo, 27 de setembro de 2009

poema para um insone

para o eduardo




se acaba mais um quarto de insônia
os poetas deixam a toca pela rua
troca da luz artificial pelo sol
cruel contra o asfalto
se desiste mais uma vez
da busca de um eu
na clausura do poeta encaixotado
por paredes brancas memórias e objetos
papéis e fotos nas paredes
se foge mais uma vez
pela busca de um outro
no flanar do poeta megamoderno
os poetas deixam, não deixam a si
nas derivas sempre se encontram a si
cruéis contra o asfalto
na terrível cidade dos carros

domingo, 18 de novembro de 2007











metâmero

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