domingo, 25 de maio de 2008

curvas

a transparência
dos copos de vidro
atrás de mim
e eu que não consigo olhar
fico só ouvindo o barulho do imóvel e do nada que ainda não se sabe o que é

ontem
só era uma noite qualquer
como qualquer
outra

não consegui ver nada além de olhos

por trás deles apenas outro olhar
por eles apenas outro jeito de querer
para eles apenas
meu olhar

talvez,
dessa vez
eu esperava um inimigo para ter piedade de mim

cantava vivo
vivas e salves
olhos e noites
queridos e olás
vivas e olhos

vivia saudades e esperanças
e compaixão
crianças e velhos
só não vivo minha vida







eu posso até transformar
em um poema
mas me faltam as palavras
nem sempre a menor distância entre
dois corpos é
uma reta

eu até posso atropelar
tudo que vejo
mas me saltam coisas na frente
nem sempre fugir é uma solução
nem sempre fugir é uma opção

6 comentários:

  1. meu Deus! como eu me emociono quando eu venho aqui!!
    saudades.

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  2. porra, cara, eu realmente gosto muito das coisas q vc escreve!! ... !!!!



    ana

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  3. "só nao vivo minha vida" aqui não dá!
    ;)

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  4. ela tinha curvas... era assim:
    "eu quero é derrapar nas curvas do teu corpo, surpreeder seus movimentos, virar o jogo..."
    Isabella Taviane | mineira.

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  5. Curvas de esquinas, drinks mal resolvidos, ausência de inimigos, uma vida sem opção. Também sofro com as palavras caro Cárdeo. Abraços do novo companheiro das letras, Podrera.

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  6. às vezes, fugir, para mim, tem sido como uma rotina.

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lave

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